janeiro 01, 2026

Passagem de ano como na adolescência

Nunca fui adepto de celebrar datas, embora ache importante lembrar algumas. A passagem de ano sempre foi para mim a celebração mais tonta de todas, pelo que, em adolescente, nem sequer saía de casa. A minha passagem de ano preferida consistia em deitar-me antes da meia-noite e adormecer como fazia em qualquer outro dia. Quando acordava já estava noutro ano, porque assim as pessoas diziam e porque as notícias não se calavam com isso, apesar de para mim estar tudo como no dia anterior e nos outros. Este ano, mais de quarenta anos depois, voltei a fazer uma passagem de ano assim, e gostei. O que me obrigou a tal foi uma tremenda constipação que, caso não a tivesse, é provável que tivesse feito uma passagem de ano diferente. Até porque não estou sozinho no mundo e adapto-me às circunstâncias e às pessoas que me são próximas. Mas desta vez não saí de casa, e não desgostei.


- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -