março 27, 2025

Gravitando - Álvaro de la Vega

 

Uma surpreendente exposição de escultura em madeira está em Setúbal, na Casa da Cultura. As obras são talhadas de forma tosca, com patines muito subtis, adquirindo uma expressividade muito singular. Esta peça está exposta na parede.

- Coisas por aí -

março 02, 2025

Dois sonhos na mesma noite

Tive dois sonhos assustadores na mesma noite, pareceu-me que um a seguir ao outro, como se fossem episódios dum mesmo filme com um curto intervalo entre eles. No primeiro estava eu numa pequena habitação de campo, toda arranjadinha, confortável. Mas o sonho passava-se na sala dessa casa, que tinha uma casa-de-banho a um canto, sem parede ou porta a separá-la. A longa banheira tinha um terço da sua altura com água. No canto do teto sobre a banheira havia uma abertura, como um buraco com cerca de meio palmo, da qual caíam grandes dejetos humanos sólidos, vulgo cagalhões, para dentro da banheira. Eu estava espantado e enojado com aquilo, mas uma mulher que procedia à recolha dos dejetos e consequente limpeza da banheira, explicou tratar-se duma coisa normal caírem os dejetos do andar de cima para aquele. O segundo sonho passava-se na sala duma pequena e antiga moradia que estava em obras. Era uma sala-cozinha completamente de pantanas, sem móveis nem armários, com partes demolidas, quase às escuras. Estava uma tempestade e caía água do teto para uma poça de água no chão, todo escaqueirado pelas obras. Um homem retirava a água com uma pá, para os lados e contra uma parede, mas ela voltava para a poça, onde se misturava com cacaria e detritos da obra.

- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

fevereiro 11, 2025

Num espelho de roupeiro


Fotografia tirada frente a uma porta de roupeiro encostada a uma árvore, em Setúbal, perto dum contentor de lixo, aguardando que alguém a leve. 

- reflexos de mim -

janeiro 23, 2025

Duas inaugurações no mesmo dia

Porque não fui eu a marcar as exposições, calhou haver duas inaugurações no mesmo dia, com uma hora de diferença entre elas e uma distância de doze quilómetros entre os locais. Às 16h inaugurou na galeria da Artiset, na Casa da Cultura, uma exposição do grupo que frequenta as sessões de desenho de modelo no meu ateliê. Às 17h inaugurou uma individual no Museu da Música Mecânica, perto do Pinhal Novo. Falei na primeira de forma sintética e pedi desculpa a todos por ter de me ausentar, explicando a razão de ser da minha saída a quem a não conhecia ainda. Depois fui a correr até ao carro e meti-me na estrada. O que vale é que, sendo um sábado de inverno e a meio da tarde, havia pouco trânsito. Cheguei ao Museu sete minutos antes da hora, que foi o suficiente. Começou por falar o diretor, depois falei eu, ambos sem qualquer tipo de pressão. Foi mais tranquilo. Correu bem, sem atropelos. A primeira exposição foi montada na véspera, a segunda na antevéspera. A pressão do tempo era muita mas, com ajuda, fez-se e a coisa não saiu mal.


- Exposições -

janeiro 09, 2025

Três exposições

Em breve estarei em três exposições: 
- "Desenho de modelo" (coletiva) - Espaço das Artes, Casa da Cultura, Setúbal, de 18 a 30 de janeiro
- "Proteção" - Museu da Música Mecânica, Arraiados, Pinhal Novo, de 18 de janeiro a 20 de março
- "Raparigas com frutos" - Espaço das Artes , Casa da Cultura, Setúbal, de 1 a 13 de fevereiro

- Exposições -

dezembro 27, 2024

Com blusão ao ombro


Esta fotografia foi tirada perto da anta grande do Zambujeiro, num dia dos começos do inverno, mas com um sol muito intenso.

- Sombras de mim -

dezembro 16, 2024

Figurinos - Almada Negreiros

Figurinos de Almada Negreiros para a peça Auto da Alma, de Gil Vicente, no Museu do Teatro, numa exposição alusiva à história do Teatro Nacional D. Maria II.

- Coisas por aí -

dezembro 01, 2024

Este cientista... - Adília Lopes

Este cientista diz que tem de preencher o currículo. Anda a comer este e esta. É topa tudo. O que quer é tacho e penacho. Nem é sinistro, é vulgar. No laboratório faz experiências com um pouquinho da Índia. Há um fogo no laboratório. Quem é que eu salvo? O porquinho da Índia amoroso ou o cientista manhoso?

Texto do livro Choupos, de Adília Lopes, da editora Assírio e Alvim
- Textos doutros autores -

novembro 13, 2024

Proteção



Proteção - Acrílico sobre tecido, lado menor: c.155cm

- Silhuetas -

novembro 01, 2024

Como não andei por aí... - Hugo Pratt


Este quadrinho da Fábula de Veneza, uma das aventuras de Corto Maltese, de Hugo Pratt, mostra como pode ser difícil cada um ser apenas ele mesmo, já que isso pode causar incómodo aos outros e problemas ao próprio.

- Outras artes -

outubro 23, 2024

A vida é o futuro - José Mujica

 

Esta imagem é a captura de ecrã duma passagem dum discurso de José Mujica onde ele fala da vida e de como ela se desperdiça, da atuação dos políticos e das pessoas em geral, do passado, do presente e do futuro, de não aprendermos com os nossos próprios erros, etc. Vale muito a pena ver o vídeo na íntegra, assim como ler alguns textos dele que estão editados. A pessoa José Mujica manteve-se inalterável nos seus princípios e valores enquanto presidente do Uruguai, recusando regalias e mordomias.

- Pessoas - 

outubro 14, 2024

Cumprimentos de desconhecidos

Há três dias, depois de sair do ateliê e logo após virar uma esquina perto, deparei com um homem baixo, de aspeto humilde e pobre, com um boné com a pala um pouco para o lado, que vinha em sentido contrário. Olhou para mim, fez um sorriso e estendeu uma mão fechada na minha direção. O gesto pedia um cumprimento, a que eu correspondi do mesmo modo, tocando com a minha mão fechada na dele. Não parámos nem trocámos palavras. Anteontem, andei descontraidamente por um jardim onde dois rapazes com cerca de dez anos jogavam à bola, chutando-a de um para outro a uma certa distância. Um deles, logo após ter pontapeado a bola, virou-se para mim e disse "Olá!", sorrindo. Eu abrandei o passo, retribuí o cumprimento e perguntei "És bom jogador?" Ele respondeu "Sou, pois!" e eu disse-lhe "Boa!" Ontem, no mesmo jardim onde andei anteontem, passei ao pé dum homem alto que estava parado a fumar ao lado do caminho, com um cão. Virou-se para mim e cumprimentou-me com um "Boa tarde", tendo eu respondido do mesmo modo. Não parei, não houve mais conversa nem necessidade dela. Hoje, à saída do auditório da biblioteca municipal onde eu acabara de dar uma palestra, um homem cuidadosamente vestido, penteado e escanhoado dirigiu-se a mim, apertou-me a mão e disse uma frase comprida de que captei um sentido impreciso por estar ainda com a cabeça muito preenchida pelas imagens e palavras da minha palestra. Sempre achei que se as pessoais se cumprimentassem e tocassem mais, inclusive sendo desconhecidas, como aconteceu comigo em quatro dias consecutivos, as tensões pessoais diminuiriam e o relacionamento social tenderia a ser mais fraterno. Mas a sociedade incita ao individualismo e à competição, criando cada vez mais obstáculos à proximidade e à confiança mútua.

- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

setembro 30, 2024

Não simpatizo com certas pessoas

E muitas vezes não sei porquê. Estou a pensar em pessoas da minha cidade que até fazem coisas úteis e de alguma importância, na área da cultura, por exemplo. Mas não simpatizo com elas porquê? Simples pergunta para a qual não tenho uma resposta que encerre o assunto. Mas talvez tenha várias ou meias respostas, todas elas tontas. Será dum certo modo de quem se mostra saber mais do que os outros, do olhar de quem inquire, da expressão facial de quem despreza, da linguagem corporal de quem se exibe. Será do formato da cabeça com semelhanças às de quem tem tem algum atraso, do perfil do rosto que parece mostrar pouca inteligência, da presunção dos temas abordados, do snobismo das palavras utilizadas. Será? Não condeno as pessoas por tão pouco. Talvez parte destas minhas antipatias tenha a ver com as antipatias que algumas dessas pessoas têm para comigo, ou julgo que terão, sem que saiba porquê. 

- Do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

setembro 17, 2024

Pudor

Pudor - Acrílico sobre cartão, 100x70

- Nus e seminus -

setembro 12, 2024

O inferno num espelho



Há dias, no bar La Bohème, em Setúbal, deparei com esta imagem curiosa: Do lado de lá do balcão, num espelho com moldura de inspiração rococó, estava refletido um pormenor do quadro O Inferno, de Bosch, cuja reprodução se encontra numa parede que estava por trás de mim.

- Coisas por aí -

 

agosto 28, 2024

Tejo como um espelho

É raro ver-se o Tejo assim, refletindo como um espelho. É raro e belo, mas não é bom sinal, já que isto só é possível com as águas paradas das barragens, que afetam negativamente os rios, suas faunas e floras. Esta fotografia foi tirada da ponte de Belver, tendo ao centro o castelo e algum casario da vila.

- Coisas por aí... -