abril 15, 2026

Lojas de vender doenças

Sempre que vou aos supermercados, mas também a outras lojas, vejo e penso nos artigos expostos. Deparo com muita coisa que faz mais mal do que bem. Muitos doces, muitos queijos, muitos enchidos, muitos refrigerantes, muita gordura, muita carnunça, muita comida pré-cozinhada, muitas calorias, muita fruta e legumes cultivados com excesso de fertilizantes, muita coisa com corantes, conservantes, estimulantes, emulsionantes, químicos para isto e para aquilo. Vejo muitas pessoas com excesso de peso e outras, ou as mesmas, com aparência pouco saudável, empurrando carrinhos cheios de compras, como autómatos que optam por aquilo que sacia e conforta no imediato, sem noção de que estão a comprar muito artigos que lhes provocarão problemas de saúde a médio ou longo prazo. A comida que provoca doenças é mais barata do que a saudável. Há quem não saiba disso, há quem saiba mas se esteja nas tintas e há quem saiba mas tem dinheiro para comprar outras, ou tempo para poder cozinhar em vez de comprar comida que não precisa ou já está cozinhada. Claro que há problemas de saúde que têm a ver com questões genéticas e outros que não dependem da alimentação, mas os que dependem, e não são poucos, são comprados nas lojas e supermercados. E depois, claro, também são pagos os tratamentos para esses problemas de saúde. Obviamente, mais dramático do que pagar por tudo isso, é sofrer com as suas consequências. 

- Do projeto Sincrónicas e anacrónicas -