março 07, 2023

Inquilino furioso

Depois de 40 anos a funcionar de portas abertas para o Rossio, esta loja de roupas vai deixar de o ser. Provavelmente para ali abrir mais uma loja de uma marca poderosa, daquelas que estão espalhadas pelo mundo inteiro. Obviamente, o inquilino está furioso, e a sua fúria não passa despercebida. E assim se vai acabando com o comércio tradicional e descaraterizando Lisboa.

- coisas por aí... -

fevereiro 26, 2023

Não lixem mais o ensino


Eu numa das gigantes manifestações de professores de 2008, aqui com o colega José Raposo. Deu-me para isto: pegar numa blusa com posições eróticas, que alguém por brincadeira me ofereceu e que eu não vestia, acrescentar-lhe a frase que se vê por baixo e... vesti-la. Fui fotografado por muita gente. A frase é válida há décadas, continua atual e não se sabe quando deixará de ser. 

Fotografia do colega Aníbal Alves
- Reflexos (fotografia, neste caso), de mim -

 

fevereiro 19, 2023

Falésias em risco


Esta é uma das muitas e surpreendentes vistas das falésias da Serra do Risco. Com 381 metros no Píncaro, são as falésias mais altas de Portugal Continental, estando entre as mais altas da Europa. Mas a estreita Serra do Risco está em risco devido às pedreiras de Sesimbra, que a consomem na sua vertente norte. 

Fotografia de Paulo Serra
- Coisas por aí - 

 

fevereiro 13, 2023

Modelo - carimbo


Foto tirada a meio dum trabalho de pintura, em que o corpo da modelo foi carimbo. Ainda se aconselhava o uso de máscara, nos últimos tempos da pandemia.

- carimbos -

fevereiro 07, 2023

A vespa e a formiga

Assisti e filmei uma curiosa cena envolvendo três animais, um deles morto. No asfalto duma estrada secundária quase sem movimento, uma formiga arrastava uma lagartixa morta. A lagartixa não seria adulta e, além de morta e ressequida, faltava-lhe todo o rabo; a formiga era grandita, mas nada que me fizesse suspeitar que conseguiria a proeza de arrastar a carcaça do pequeno réptil. Entretanto, enquanto freneticamente procedia à tarefa, a formiga era importunada por uma vespa, obrigando-a a largar a lagartixa após algumas investidas. Depois disso, a vespa ficou a sugar a lagartixa. A formiga, depois de se ter afastado, voltou, mas sem sucesso, bastando a indiferença da vespa para a demover de qualquer tentativa de reaver a carcaça.


- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

janeiro 30, 2023

Olha para mim

 

Pequena exposição, pelo número de obras (seis, pois o espaço não dá para mais) e pelo tempo (duas semanas). Está no Espaço das Artes da Casa da Cultura de Setúbal. 

- Exposições -

janeiro 24, 2023

Belos animais

 

Numa azinhaga entre sobreiros cruzou-se comigo um homem conduzindo uma vintena de animais: um burro, um pónei, cabras e ovelhas com algumas crias. Belos animais, disse eu. É verdade, mas isto é trabalho, respondeu ele. Acredito, rematei. Ele esboçou um sorriso tenso e curto e continuou no seu passo decidido.

- coisas por aí... -

janeiro 17, 2023

Vítimas silenciosas


Vítimas silenciosas
Acrílico sobre tecido. Medida menor: c.155

- Silhuetas -

janeiro 13, 2023

Pensamento além de mim

Uso o pensamento como ferramenta para a procura de liberdade e de bem-estar, comigo e com os outros. Quero fazer do pensamento um espaço livre de influências perniciosas, mas tenho de ser muito cauteloso e atento, para que tais influências não se instalem aquando de alguma distração minha. Opiniões e ideias habilmente construídas, vindas do mundo à volta, muitas vezes carecendo de ética e de respeito, estão sempre à espreita duma oportunidade para se instalar e dominar, como faz um vírus num corpo onde entra. O meu pensamento é um templo de que sou guardião. Nele gosto de estar e de me movimentar, não quero ser prisioneiro dele. Gosto da imagem de eu ser uma coisa e o meu pensamento ser algo que habita em mim, como duas entidades que dialogam e se procuram entender pacificamente, sem tempestades.


- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

janeiro 04, 2023

Lembro-me de ir à pesca

Lembro-me de ir à pesca com o meu avô e de ficar muito mais contente por apanhar dois ou três peixes do que ele que apanhava dez ou quinze. Enquanto eu me encantava com isso, ele não. Perdeu a capacidade de se encantar com a idade, pensava eu. Já viveu tantos anos que se fartou de se encantar. Descobri mais tarde que, afinal, ele aprendeu a encantar-se sem o mostrar. O encantamento dele era uma coisa só dele. Eu queria que o meu encantamento fosse partilhado por todos. Que mania parva! A água a jorrar das fontes e das nascentes, fazendo levantar os grãozinhos de areia, deixava-me os olhos a brilhar. Ao meu avô, não. Ele tinha sempre a fonte consigo.

- do projeto Três, dois, um -

janeiro 02, 2023

A beleza da Geometria


Esta fotografia mostra a capela do Palácio Nacional de Sintra. Repare-se como uma decoração plena de formas geométricas pode ser tão bela. Claro que as centenas de pombas dentro dos quadrados dão uma ajuda.

- coisas por aí... - 

dezembro 27, 2022

Tolerância

Espera-se que a tolerância gere tolerância, que a aceitação da diferença gere aceitação da diferença, e que tudo isso gere respeito mútuo. Mas quando se é tolerante com quem não é nem dá mostras de algum dia vir a ser…, o que fazer? Funcionará a tolerância em pessoas cuja educação, cultura ou religião as tornaram incapazes de ver e de aceitar a diferença e o respeito mútuo? Certamente que não. Então o que fazer?

- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

dezembro 21, 2022

Cumplicidades - I


 Cumplicidades I - Acrílico sobre tecido, medida menor: c. 155cm

- silhuetas -

dezembro 15, 2022

Desapareceu


Esta moradia e outra ao lado, situadas no entroncamento da Estrada da Algodeia com a Av. 22 de dezembro, na zona central de Setúbal, desapareceu há duas semanas. Agora só existe o sítio, terra plana, para nele ser construído um prédio. Só pode. Trata-se duma moradia em estilo Arte Nova, com traços neo-árabes nas maravilhosas cantarias em arco de ferradura. Repare-se nos azulejos, nos ferros, na balaustrada, na concha e na vénus em escultura cerâmica. Repare-se... na fotografia, pois é só nelas que agora se pode ver aquilo que foi esta casa. Há quem possa fazer bom dinheiro com isto, mas todos os outros ficaremos mais pobres, sobretudo os que sempre ali viram esta maravilha.

- coisas por aí... -

dezembro 11, 2022

Levantar cedo

Com frequência me levanto cedo ou muito cedo. Ou cedíssimo. Umas vezes porque quero, outras porque preciso, outras apenas porque acordo e o sono já não pega. Fruto de alguma agitação na cabeça e no corpo, por andar a trabalhar muito…, mas também por estar com quase duas dezenas de babas enormes, nos braços, peito e costas, devido às picadas de algum inseto que me têm causado um ardor incomodativo…, e hoje devido ainda ao barulho de chuva a sério mas fora de época. Resumindo, juntou-se muita coisa, quando apenas uma delas bastava para não me deixar dormir em condições e me fazer levantar cedo. Duma delas gostei, apesar da estranheza: a chuva! Quis vê-la. Abri as lamelas horizontais duma portada da janela e fiquei a olhar e a ouvir a chuva a cair, com pingos grossos. Que maravilha! Que paz! Mas, ao mesmo tempo, que preocupante! Entretanto, reparei que as janelas dianteiras do meu carro estavam com os vidros abertos uns dois dedos, como os havia deixado na véspera, devido ao calor. Entrava alguma água no carro, mas isso não foi nada preocupante.


- do projeto Anuário de banalidades -

dezembro 06, 2022

Ampulheta - I

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- do projeto Mínimos e visuais -