dezembro 27, 2023

Pôr-do-sol em Sesimbra


O post anterior parece que foi combinado com este, mas não. O anterior foi escrito há dois ou três anos, esta fotografia foi tirada ontem. 

- coisas por aí... -

dezembro 21, 2023

O pôr-do-sol

Ao pôr-do-sol as paisagens exercem um fascínio particular, sobretudo por ser o momento evidente da passagem do dia para a noite e pelo colorido particular que a atmosfera toma. Além disso, o lusco-fusco que se segue a esse momento contribui para um efeito tranquilizador geral. E quando nessa paisagem existe água e ou nuvens e ou planície a perder de vista e ou montanhas ao longe e ou casario com luzes acesas, ficamos como que enfeitiçados e em silêncio a olhar e a sentir.

- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

dezembro 07, 2023

Um aceno de olá


Junto à entrada sul da ponte de Belver, o sol forte de agosto permitiu esta imagem num ângulo feliz. A sombra da mão, habitualmente mais pequena neste tipo de fotografia, ficou aqui enorme por se projetar na parte de cima dum muro. Trata-se de aceno em jeito de olá.

- Sombras de mim -

 

novembro 26, 2023

Se uma palavra não me agrada

Se uma palavra não me agrada 

Não a condeno


Questiono-me por não a saber devidamente

Ou por não achar outra 

Que saiba melhor de mim


Com as palavras que há 

Poderia dizer mais 

Do que aquilo que consigo pensar

Se o soubesse…


Mas com agrado aceito que assim seja

Pois o que há me basta

Por ser demais


- excerto do livro A superfície das coisas -

novembro 17, 2023

Carpinteiros carpinteiros


Na Ladeira, aldeia do concelho de Mação, esta placa anuncia a Rua dos Carpinteiros. O nome terá surgido por desejo popular e alguém escreveu o seu nome num pequeno retângulo de reboco. Mais tarde foi colocada uma placa de mármore sobre ele, oficializando o nome. Mas a placa não tapou completamente o retângulo, ficando repetida a palavra "carpinteiros", de propósito ou não.

- Coisas por aí... -

novembro 08, 2023

48 anos depois

Fui decapando duas camas de ferro ao longo de vários meses. Estavam desmontadas, encostadas a um canto e sem uso há muito tempo, com camadas de tinta velha, cheia de falhas. Depois de finalmente pintadas e montadas, dormi numa delas, aquela em que dormi com o meu irmão até aos meus onze anos, até aos dezoito dele. Quarenta e oito anos depois de nela ter dormido pela última vez. A outra foi a primeira cama de casal dos meus pais. Nessa ainda ninguém voltou a dormir.

- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

outubro 29, 2023

Passagens duma apresentação cómica

Escreve romances, novelas, contos, crónicas, poesia, escrita experimental e visual, com que vai enchendo pastas no computador, fazendo às vezes pequenas edições de livros.

 

Com pseudónimo, escreve poesia e prosa erótica, pouco recomendável a moralistas e a pessoas demasiado educadas. 


Pinta a acrílico sobre tela, cartão e tecido, tendo a figura humana como tema central. Rostos, corpos vestidos ou despidos povoam a sua pintura. Fascina-o explorar plasticamente aquilo que é pessoa ou gente, em múltiplas formas, poses e atitudes.


Mede 1,76m e pesa 82kg. É careca, não por opção mas por destino, usando boina, boné ou chapéu para se proteger do frio ou do sol. Faz a barba sempre com atraso de dois ou três dias. Usa óculos devido a astigmatismo. Veste mais ou menos o que calha, sem grande exigência ou vaidade.


Quando lhe perguntam Tudo bem? não sabe o que responder, pois não sabe o que é tudo nem percebe o que é estar bem. Quando lhe dizem Santinho!, ao espirrar, responde Só às vezes.


Ajuda regularmente quem lhe é próximo e desenvolve atividades no âmbito do voluntariado cultural, sobretudo relacionadas com pintura ou poesia.


Não se importa nada que digam mal de si, pois sabe que não será aquilo que os outros dizem. Também não precisa que digam bem.


Não tem qualquer apreço por ideologias políticas ou religiosas, por serem elas as responsáveis pelas maiores atrocidades da história da humanidade.


Nunca se sente só porque está sempre acompanhado de si mesmo, com quem se dá muito bem, e dos seus mundos interiores. 


Luz nele alguma tendência para a boa disposição e uma grande vontade de ser útil.


- Sincrónicas e anacrónicas - 

outubro 22, 2023

Já foi quinta


Já foi quinta, na várzea entre Setúbal e Palmela, com casas, árvores, campos cultivados, poço com nora, sistema de rega com um pequeno aqueduto. Agora é uma ruína daquilo que já foi.

- coisas por aí... -

outubro 11, 2023

Sombra na estrada rachada


Num troço de estrada da várzea de Setúbal tirei esta foto à minha sombra, entre sombras de uma árvore e sobre uma racha do asfalto.

- sombras de mim -

 

outubro 03, 2023

O pastor de mau-feitio

Cruzo-me de vez em quando com um pastor e seu rebanho de cabras e ovelhas. Terá cerca de setenta anos e é seco. Parece ter secado ao sol e ao vento de tantas caminhadas. Quando o cumprimento nem sempre retribui, e quando retribui revela mau-feitio. É como é, mas não deixo de o cumprimentar por isso. Há umas semanas vimo-lo, eu e a minha mulher, de canadianas com o seu rebanho. Impressionou-nos a imagem dum pastor a conduzir o seu rebanho de canadianas, claramente debilitado. A minha mulher perguntou-lhe o que tinha, ele respondeu tratar-se de problemas de coluna. Desejámos-lhe melhoras e ele agradeceu. Depois dessa ocasião vimo-lo mais uma meia-dúzia de vezes à distância, e com as canadianas. Entretanto, passaram semanas sem o vermos e eu questionava se ele teria ficado sem capacidade de conduzir o seu rebanho. Mas há dias, ao final da tarde, demos por ele, ainda de canadianas, mais magro e de andar mais débil. Vinha na nossa direção, com três cães que, de imediato e com precisão, reagiam às suas indicações de assobios e de poucas palavras. Vai à frente!, Olha aquelas!, Vai lá, vai! Em correrias frenéticas, os cães seguravam o avanço do rebanho para que não se afastasse muito do pastor. Parámos para que, mais próximos, lhe pudéssemos falar. Como tem passado?, perguntou a minha mulher. O problema das costas está na mesma, mas agora estou com outro que me preocupa mais, respondeu com ar pesado. O que é?, perguntei. O homem balbuciou um pouco e hesitou na resposta. Encostou a mão ao peito, respondeu É aqui, soltou um choro breve que logo controlou e concluiu, Assim que chegar a casa vou para o hospital. Oh, caramba!, disse eu quando ele já me virava as costas, As melhoras! Não agradeceu, continuou o seu caminho e eu fiquei a pensar se seria aquela a última jornada do pastor de mau-feitio.

- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -

setembro 22, 2023

Bocage com cabeleira

 

Na Biblioteca Municipal de Setúbal está uma exposição sobre a vida e a obra de Bocage. À entrada, já no interior do edifício, está um cartaz que a anuncia. Frente a ele está a porta envidraçada da biblioteca, que reflete o cartaz. À entrada, mas na rua, está um vaso grande com uma flor pequena. Do ângulo certo deu para fazer esta fotografia, onde a flor faz de cabeleira a Bocage.

- coisas por aí... -

setembro 12, 2023

Entendes?


Entendes? 
Acrílico sobre tecido, medida menor: c.155cm

- Esfregaços - 

setembro 03, 2023

Um cheiro doce

Fui ao cinema rever um filme que já tinha visto algumas vezes. Receei não conseguir chegar a tempo mas consegui, mesmo tendo de ir urinar antes de entrar. Aquilo que escolhi para esta banalidade não foi nenhuma surpresa com que tenha deparado. Pelo contrário, trata-se de algo com que deparo frequentemente, mas só hoje me deu para escrever acerca disso. Os urinóis cheiravam a rebuçado, daqueles como muito outros em centros comerciais e espaços públicos em geral, e não só. Há qualquer coisa que põem em cada urinol que emana um fortíssimo cheiro a rebuçado, que chega a ser mais incomodativo, e enjoativo, do que o da urina acumulada. Estranhamente, este cheiro é doce, ocorrendo-me a perversa e surreal ideia de que, um urinol novo, limpo a assim cheiroso se poderá até lamber. Uma porcaria de ideia!, mas é a que, sinceramente, me ocorre ante tal cheiro, mesmo sabendo para que é utilizado o objeto. O filme foi fantástico, mas mesmo assim não me fez esquecer a situação que deu origem a esta banalidade.

- do projeto Anuário de banalidades -

agosto 25, 2023

A grande odalisca - Auguste Ingres

Este quadro é uma lição de técnica sublime, composição, beleza e harmonias cromáticas. Não precisa de mais palavras.

- os meus quadros preferidos -

agosto 18, 2023

Sombra com ramos secos


Esta fotografia foi tirada no passadiço que leva da ponte de Belver à praia do Alamal. Com os ramos secos que apanhei fiz um arranjo floral que está na jarra duma mesa. Não se vê, mas o Tejo está ali à direita, apenas a uns três metros.

- Sombras de mim -

agosto 09, 2023

Melancólica

Melancólica - Acrílico sobre tecido, cerca de 155x155

- Nus e seminus -