ataca acata
alerta atrela
eleger regele
livres servil
- do projeto Mínimos e visuais -
Recentemente, esperando por uma atividade que ia decorrer no Museu Nacional de Arte Antiga, reparei na minha sombra junto dos meus pés. Pus-me a fazer algumas fotografias, entre as quais esta, onde a sombra da minha mão parece segurar um pequeno quadro no soalho de madeira.
- sombras de mim -
Há muitos anos que procurava esta fotografia, revelada sobre papel. Não sabia onde a tinha. Ontem encontrei-a e sorri tanto como estou a sorrir nela. De vez em quando dava-me para fazer isto: trepar paredes, com as mãos numa e os pés noutra. A distância entre elas tinha de ser adequada para que a coisa resultasse em segurança. Terá sido há cerca de 25 anos que esta foi tirada na travessa que faz esquina com a bar La Bohème. Julgo que foi o Paulo que a tirou. A cena foi presenciado por poucos. Poucos, mas muito... incrédulos.
- reflexos (fotografia, neste caso) de mim -
Há compositores, instrumentistas ou cantores que se destacam por alguma particularidade, algo que confere um caráter muito peculiar à sua obra. Um deles é Chet Baker, que eu muito aprecio. Dentro do jazz, manteve sempre uma suavidade e uma delicadeza admiráveis, seja através da sua voz ou da sua trompete, instrumento habitualmente agressivo e dominador, mas que nos seus dedos e na sua boca se tornou suave como seda. A delicadeza da sua música está presente em toda a sua carreira, desde os tempos de juventude, em que passa por sex simbol, ao final da sua carreira e vida quando, com 50 e tal anos, aparenta ter 90. Muitos discos e imensas canções ele gravou, ao vivo e em estúdio. As suas versões de My funny valentine são as mais sentidas, belas e aveludadas que se podem encontram.
- do projeto Entre deuses e diabos -
O meu corpo tem formas delicadas e atraentes
O meu rosto tem lábios coloridos e olhos luminosos
O meu cabelo e a minha pele são suaves e brilhantes
É da minha natureza atrair facilmente
Encanto com os olhos, o sorriso, a voz e os gestos
Mas não se confunda isso com um convite ou uma oferta
Ser como sou pode causar mal-entendidos
É da minha natureza encantar facilmente
Quando mostro um pouco mais do meu corpo
É por gostar de me ver e que me vejam assim
Se algo insinuar pode não ser mais do que isso
É da minha natureza seduzir facilmente
Sei seduzir quando me agrada ou se assim quero
Mas também sei recusar e espero respeito por isso
Ser como sou não legitima que me violentem
É da minha natureza... de mulher
Este cedro gigante está na aldeia da Piedade, perto de Azeitão. Do seu tronco muito largo irradiam dezenas de troncos secundários, dos quais irradiam centenas de ramos e milhares de gravetos que suportam uma copa quase esférica (de que não se vê os contornos na fotografia). Além de grande, este cedro é saudável e bonito. E não tem sinais de alguma vez ter sido podado.
- Coisas por aí...
Vivemos em democracia, com defeitos, com virtudes. Mas há quem faça dela um terreno murado, como um condomínio de usufruto limitado. E há também quem prefira a ditadura à democracia. Quando isso acontece entre quem tem poder, não admira, já que poderia exercê-lo com dureza e lucrar mais com isso, se pudesse. Mas o que me espanta é haver gente comum que deseja viver em ditadura. É gente afeta a partidos de extrema-esquerda ou de extrema-direita, parece-me que iludidos por promessas de igualdade e ou de justiça, em suma, de uma vida melhor. Algumas dessas pessoas vivem bem, outras nem por isso ou mesmo mal, mas não se apercebem que não viveriam melhor em ditadura. Ou se calhar apercebem-se, mas mesmo assim a desejam porque estão contaminados por uma ideologia. Sempre as ideologias para estragar ou piorar as coisas!
- do projeto Sincrónicas e anacrónicas -
A Associação José Afonso promoveu tertúlias sobre os quatro discos do músico que antecederam mais de perto o 25 de Abril. A primeira decorreu há dias, na Casa da Cultura de Setúbal, e foi sobre o álbum Cantigas do Maio. Foi um privilégio ouvir falar José Fortes, técnico de som, João Carlos Callixto, radialista, e Francisco Fanhais, cantor. Venham mais três!
- coisas por aí... -
Este quadro faz parte duma série de quatro intitulada "A transparência do olhar". Nele está o colega e amigo Carlos Campos, falecido há um mês e meio. Alô, amigo! era como costumava cumprimentar-me nos telefonemas diários e nos almoços semanais que mantivemos durante vários anos. Espero que esteja, como seu desejo, num local bastante melhor, liberto.
- Retratos -
A seguir ao negócio de Deus, historicamente o da guerra será o segundo maior negócio da humanidade. E quando se juntam os dois haverá quem lucre mesmo muito muito muito. À custa do sofrimento e da morte de tantos, obviamente, mas isso que importa aos senhores da guerra e a quem possui um deus por encomenda? A indústria da guerra é de tal modo lucrativa e poderosa, que facilmente põe muitas outras e gente de diversas áreas a trabalhar para si: da ciência em geral, da química, da mecânica, da construção, da navegação, da aeronáutica, dos transportes, das comunicações, da informação, da propaganda, etc., etc. Ora, quem investe em algo tão lucrativo não tem qualquer interesse em que o negócio pare, pelo contrário, tudo faz para que se desenvolva. Como se faz isso? Provocando guerras, inventando-as, criando ou alimentando rivalidades entre povos. Contra todos os princípios de ética e de humanismo.
- do projeto Entre deuses e diabos -
Deus é o maior negócio da humanidade. As grandes religiões monoteístas não se guerreiam pelo seu deus, mas pelo dinheiro e pelo poder que ele pode render. Ou melhor, as pessoas em geral pensam que se guerreiam pelo seu deus, mas o que interessa aos líderes é o poder e o dinheiro que podem lucrar. Quando se obrigava ou obriga as pessoas a seguir um deus, era ou é para manter e alimentar esse negócio, não para as salvar ou lhes mostrar a luz. Dentro de cada religião houve cisões que originaram divergências ou seitas. No cristianismo isso corresponde às diferentes Igrejas. Nalguns casos, quem as criou pode até ter tido a intenção de as libertar da corrente dominante para corrigir excessos, mas cedo elas se tornaram iguais à anterior, pelo menos em matéria de negócio. Na generalidade dos países, as religiões não pagam impostos ao estado, são as pessoas que pagam impostos às religiões, ainda que de livre vontade. Basta isso para que Deus se mantenha como o maior negócio da humanidade.
- do projeto Entre Deuses e diabos -
Rubens está no auge da sua técnica e criatividade quando pinta O rapto das filhas de Leucipo, uma obra de temática mitológica que revela maturidade e ousadia a vários níveis. A dinâmica é um dos aspetos mais evidentes neste quadro, com linhas diagonais em quase todos os segmentos dos corpos, incluindo nos dos cavalos. Uma diagonal maior, como que estruturante do quadro, vai da mão elevada da mulher de cima aos cascos do cavalo que estão no canto do lado oposto, passando pelo estreito intervalo que há entre os corpos das mulheres. Os movimentos dos raptores e os das mulheres que fazem por se libertar deles, assim como a agitação dos cavalos, formam um turbilhão, acentuado ainda pela ondulação dos cabelos, das crinas e dos tecidos.
- os meus quadros preferidos -
Saídos do pequeno pedaço de praia que existe quase dentro da cidade, vinha um homem com o filho às cavalitas, certamente pai e filho. Homem alto, de calções e ténis e com uma pequena mochila às costas; rapazito pequeno, sentado nos ombros do pai, com um grande guarda-sol de braçado contra o peito. O pai ia de braços soltos, em marcha cuidadosa, para que o filho se aguentasse equilibrado; o filho ia sentido o balanço do corpo do pai, não se deixando atrapalhar com o grande guarda-sol de muitas cores. Parecia um treino para um número de circo, em que o homem testava a capacidade de equilíbrio da criança, e esta a sua capacidade de se equilibrar sem largar o que tinha nas mãos. Aproximavam-se do carro, ali estacionado, no momento em que me cruzei com eles. Não olhei para trás, pelo que não vi como desceu o filho dos ombros do pai.
- do projeto Anuário de banalidades -